Em resumo
Faturar 35 € à hora quando a sua mão de obra lhe custa 28 leva direto à falência. Custos diretos, gastos gerais, margem: o método completo para calcular uma tarifa horária que cubra os seus encargos e deixe lucro.
Porque é que uma tarifa horária ao acaso arruína uma empresa
Muitos profissionais definem a sua tarifa horária a olhar para o vizinho ou a repetir o valor do ano passado. É a forma mais segura de trabalhar a perder sem dar conta. Uma tarifa horária justa calcula-se a partir dos seus próprios custos, não do mercado.
A lógica tem três níveis. Primeiro, o custo direto da mão de obra, ou desembolso horário: o que lhe custa realmente uma hora de trabalho produzida. Depois, os gastos gerais: tudo o que faz a empresa funcionar sem ser diretamente imputável a uma obra. Por fim, a margem, que cobre os imprevistos e remunera o risco.
Parte-se do custo, somam-se os gastos, soma-se a margem. A tarifa horária de venda é o resultado, nunca o ponto de partida.
Passo 1: calcular o desembolso horário de mão de obra
O desembolso horário responde a uma pergunta simples: quanto me custa uma hora realmente produzida por um trabalhador? Divide-se o custo anual completo do trabalhador pelo seu número de horas produtivas.
O custo anual não se limita ao salário bruto. É preciso acrescentar as contribuições patronais (na ordem dos 40 a 45 %), as férias pagas geridas pela caixa CIBTP, os prémios, os subsídios de alimentação e as ajudas de deslocação ou transporte próprias da construção.
Quanto às horas, a armadilha é raciocinar em horas pagas. Sobre uma base de 1.607 horas anuais, descontam-se as férias, os feriados, as paragens por intempéries, a formação e as ausências: sobram muitas vezes cerca de 1.450 horas realmente produtivas. Um trabalhador pago a 14 € brutos à hora pode assim ficar em 24 ou 26 € de desembolso horário. É este valor, e não o salário, que serve de base.
Passo 2: integrar os gastos gerais e a margem
Os gastos gerais englobam tudo o que não se liga a uma obra concreta: seguro de responsabilidade decenal, viaturas, combustível, instalações, contabilidade, telefonia, amortização do material, a parte não produtiva do salário do titular. Exprimem-se em percentagem do desembolso, normalmente entre 10 e 25 % numa pequena empresa de construção.
Depois vem a margem. Não é um luxo: absorve os imprevistos (mau tempo, defeitos, atrasos de pagamento) e constitui a capacidade de investimento. Uma margem líquida-alvo de 5 a 10 % é uma referência habitual.
Combinando estes níveis, obtém-se um coeficiente de venda. Com um desembolso de 25 €, 15 % de gastos gerais e 8 % de margem, a tarifa horária de venda situa-se em cerca de 31 € sem impostos. Mude um parâmetro e o preço move-se — daí o interesse de calcular em vez de adivinhar.
Verificar, ajustar e manter a sua tarifa
Uma tarifa horária não está gravada na pedra. Tem de ser confrontada com a realidade: no fim de uma obra, compare as horas previstas com as realmente gastas. Um desvio recorrente indica ou uma tarifa subvalorizada, ou um problema de organização.
Cuidado com as horas «invisíveis»: deslocações, carga, limpeza, pós-venda, orçamentos não assinados. Se não estiverem cobertas pelas horas produtivas ou pelos gastos gerais, comem-lhe a margem sem aparecer em lado nenhum.
Por fim, reveja a sua tarifa pelo menos uma vez por ano. Os salários, o combustível, os seguros e os encargos evoluem. Manter a sua tarifa não é alinhar-se pelo mais barato do setor: é faturar um preço que o deixe vivo depois da última vassourada.
Equipa Constrigo
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